Ilusões de Conhecimento Popular
Felipe Magnus Gil
20 de dezembro de 2011.
Imaginem se as verdades fossem únicas e absolutas. Existiria, provavelmente, diversos teóricos da verdade; ela influiria não apenas no funcionamento da sociedade, mas também no andamento da economia. Também possivelmente existiria um Partido da Verdade, uma entidade transnacional que implantaria suas medidas sócio-econômicas gradativamente, até se tornar um regime político. Autoritário, sem dúvida alguma. Porque em qualquer lugar onde as verdades sejam absolutas e singulares, o imperativo e o infinitivo se misturam, e verdades se tornam ordens, mandamentos e obrigações.
Como um dia, todos os impérios sempre caem, e todas as monarquias desmoronam, o modelo Verdadista cairia por terra em uma quarta-feira cinzenta qualquer. E então toda a população interromperia suas tarefas em seus empregos, os adolescentes ficariam estarrecidos diante de seus professores nas salas de aula, as crianças iriam parar de rodar o gira-gira, e todos se perguntariam: “Viveremos do que, agora? De ilusões?”.
Mas os governantes do modelo Verdadista são muito astúcios: eles transformam, deturpam, ao seu bel prazer e conveniência, todas as premissas do modelo falido, e propagam essas novas versões ao povo, através de comerciais mercadologicamente atrativos, na televisão. Vendendo suas teorias, diretamente recicladas do modelo falido, como a salvação para os problemas populares. Mas ninguém consegue comprar sequer o pão de cada dia.
…
O povo sabe qual seu próprio caminho.
O povo sabe quais suas próprias respostas.
Mas está impossibilitado de realizar,
porque um certo dia, o poder foi doado
a poucos representantes, e o povo, então
caiu em desgraça, sem soberania.